Trip Global: Wellington, Nova Zelândia

Baia de Wellington

Baia de Wellington

Wellington é a capital da Nova Zelândia. Uma cidade relativamente pequena, de 400 mil habitantes, mas que ferve nos seus bares, pubs  e nightclubs.  A cidade, a exemplo de Auckland, também fica numa baia, de águas muito azuis e límpidas. Apesar de ser um porto, enxerga-se o fundo a grande distância, de modo que num dia de sol é possível ver várias pessoas nadando.

Remo na baia

Remo na baia

Tivemos dois dias seguidos de sol e céu totalmente azul, sem uma nuvem, o que é uma raridade segundo os moradores. É curioso porque nesses dias de muito sol e mar tranquilo, a baia fica repleta de gente nadando, remando e fazendo yoga sobre pranchas de surf, dentro d’água. No seu normal, Wellington é uma grande ventania, com pouco sol, muitas nuvens e chuva. Ela fica no final da ilha do norte e o vento sul é como que canalizado pelo estreito de Cook, que separa a ilhas do Norte e do Sul. A cidade respira mar, pois distribui-se ao longo do porto e aí convive diariamente, recebendo ferrys que fazem o transporte para a Ilha do Sul e navios que se abastecem dos derivados do leite, lã, madeira e de vinhos, entre outras coisas.

Morros verdes em torno do centro

Morros verdes em torno do centro

Ao longo desse porto, apenas uma parte, constituída por umas três ruas paralelas, é plana. Todo o restante é montanhoso e isso proporciona um bonito espetáculo, pois em torno do centro plano e cheio de edifícios se distribuem morros com muito verde e casas bonitas. Esse centro, que gira em torno do porto, é facilmente percorrido a pé em um pouco mais de meia hora, o que dá uma ideia da sua dimensão. Entre os morros destaca-se o Victoria, que fica no lado direito da baia, e pode ser alcançado também a pé, depois de algum esforço na subida. Na subida passe-se por uma área reflorestada, e tem-se, ao final, um bonita vista de toda a baia.

Vista da baia

Vista da baia

É do alto do morro Victoria que temos uma ideia mais clara de quanto verde há em toda a capital neozelandesa. Atrás do centro temos o Jardim Botânico, que alcança-se por meio de uma bondinho com cremalheira, como o que nos leva ao Corcovado, no Rio de Janeiro. Depois de apreciar a vista do alto descemos por todo o Jardim, uma imensa floresta preservada praticamente no centro de Wellington, com espécimes variadas e uma tranquilidade a toda prova. Nesse trajeto, temos a impressão de estar numa área rural, pois ficamos envolvidos pela mata e pelo canto do pássaros.

Samambaias gigantes

Samambaias gigantes

A Nova Zelândia era inicialmente povoada unicamente por pássaros e outras aves, com uma extrema variedade. Foram os europeus que trouxeram os mamíferos, que extinguiram vários pássaros por ação direta, comendo os ovos de seus ninhos, ou indireta, colaborando na destruição de florestas que os abrigavam. No Jardim Botânico os pesquisadores tentam preservar um das últimas florestas naturais que ainda sobrevivem na região de Wellington. As samambaias gigantes são naturais das florestas originais e são um símbolo da Nova Zelândia. Ao final do Jardim Botânico alcançamos a rua chamada The Terrace, que fica já a meio caminho da montanha, mas ainda cheia de edifícios.

Museu Te Papa

Museu Te Papa

Em Wellington tivemos oportunidade de ir ao museu Te Papa, que é um grande centro interativo que abriga o museu histórico, de ciências e de artes da Nova Zelândia. É lá que fica uma das maiores coleções de objetos e fatos relacionados aos habitantes originais da Nova Zelândia, os Maoris. Há inclusive exemplos de casas desse povo, casas de religião, ferramentas que eram usadas, vestiário, e grande acervo de vídeos e fotos. Segunda a narrativa Maori, a ilha do Norte é um peixe com a boca aberta, no momento em que é fisgado pelo pescador que está numa canoa, que é a ilha do Sul. A boca aberta é justamente a baia onde está situada Wellington. No último andar há uma exposição de arte que inclui artistas neozelandeses desde a sua fundação em 1840, até artistas contemporâneos tanto no estilo europeu como Maori. Nada muito estonteante, mas uma exposição que faz jus à história recente da Nova Zelândia e retrata vários líderes maoris.

Líder Maori

Líder Maori

Nas proximidades de Wellington fizemos uma visita guiada a vinícolas, todas situadas na região produtora de Martinborough. É curioso que deixamos Wellington de trem, numa manhã fria e chuvosa, em que ventava muito. Continuamos com o mal tempo por uma meia hora até que entramos num túnel no qual permanecemos por uns 10 minutos. Ao final do túnel, para a nossa surpresa, havia tempo bom, com sol e céu azul. Como disse no relato de Auckland, há vários climas completamente locais na Nova Zelândia, divididos por uma montanha, por exemplo.

Nova Zelândia Rural

Nova Zelândia Rural

Foi bom ter feito toda visita às vinícolas com tempo bom, pois curtimos as plantações de uva na bela paisagem rural da Nova Zelândia. Fomos a 4 vinícolas, onde fomos recebidos por pessoas diretamente envolvidas na produção dos vinhos, prontos a responder perguntas as mais diversas possíveis, enquanto nos serviam pequenas porções de vários dos vinhos lá produzidos. Começávamos pelo Pinot Griss, um vinho bastante frutado, passávamos ao Chadornay e ao Sauvignon blanc, brancos mais tradicionais,  e então para provávamos os tintos Pinot Noir e Shiraz. Pinot Noir é uma uva típica da Borgonha, na França, região das mais conhecidas pela produção de vinhos de qualidade, mas se adaptou muito bem a Nova Zelândia, que tem produção recente mas de muita qualidade. Nas regiões vinícolas os vinhedos se perdem na imensidão da planície, onde quase sempre são plantadas as uvas neozelandesas. A Nova Zelândia hoje exporta seu vinho para os quatro cantos do mundo. Na segunda vinícola que visitamos há produção artesanal de um vinho do tipo Porto, muito bom. O dono da vinícola foi quem nos recebeu e deu seu relato sobre o que é produzir vinho numa região que tem muita geada, o que congela a vinha e mata a produção. Para evitar que a vinha permaneça congelada os produtores usam diversos métodos: água borrifada no vinhedo, aquecedores a gás e até helicóptero. O prejuízo as vezes é tanto que vale mais a pena comprar uva de outra propriedade para não parar de produzir naquele ano.

Turma da vinícola

Turma da vinícola

Ganhamos a viagem às vinícolas de presente da nossa amiga inglesa Joan. Dela participaram ainda duas americanas que conhecemos na própria excursão: uma delas, Jamie, é uma jovem cheia de vida, recém casada e passeando pela Nova Zelândia. A outra, Gayle, é uma artista que veio conhecer técnicas de pintura dos povos Maori e dos habitantes de Tonga, uma série de ilhas no Pacífico sul. Tivemos um dia agradável em companhia também de Naomi, a nossa guia e motorista neozelandesa que trabalha para a companhia de turismo que vendeu a viagem. Ela nos pegou na estação de trem e nos levou para Martinborough, cidade que fica no centro da região produtora. Almoçamos num restaurante da cidade e no final do passeio tomamos chá acompanhado de diversos tipos de queijos. Tudo regado a vinho e a um bom papo. Ao final do dia regressamos para Wellington bem satisfeitos com os vinhos que provamos, que afinal não constitui muito mais que uma garrafa, tomada num intervalo de 5 horas.

Nesse mesmo dia tivemos o prazer de encontrar Alda Resende, cantora mineira que mora em Wellington há mais de 10 anos, com o filho do ex-marido neozelandês. Havíamos tentado o contato com Alda, sem obter sucesso. Quando fui à Embaixada Brasileira deixar um CD meu para o embaixador, que é um entusiasta da cultura, conversei com Marina, que trabalha na embaixada e é muita amiga de Alda. Deixei um CD também para Alda e marcamos de encontrar  no Matterhorn, que fica na Cuba Street, uma rua das mais movimentadas do centro de Wellington onde é possível encontrar de tudo, de uma boa comida, como a que saboreamos no Matterhorn, a roupas e assessórios para a vida ao ar livre. Conversamos longamente com Alda e Marina. Alda está satisfeita com a criação do filho no ambiente seguro e acolhedor de Wellington, que ela considera uma cidade cosmopolita e a melhor para se viver. Mas a Nova Zelândia é limitada para a sua carreira de cantora e ela já percorreu todos os circuitos de jazz existentes, inclusive o Festival de Auckland e o de Wellington. Canta regularmente em alguns bares, inclusive no próprio Matterhorn.

Marina é uma moça bonita, que é funcionária da embaixada. Discutimos um pouco da eleição para presidente no Brasil, que acompanhávamos de longe, principalmente pelo facebook e que aconteceria no domingo. Wellington seria uma das sessões eleitorais, a que votava primeiro, pois está 15 horas à frente de Brasília. Nesse dia estaríamos já na Ilha do Sul, cuja viagem começava em Wellington com o ferry, uma travessia de 3,5 horas que, dependendo do estado do oceano, não deixaria saudades. Veja o próximo post para conferir.

Wellington deixou em nós viva impressão de um porto limpo, numa cidade preocupada com o verde e com a sua preservação, com muita qualidade de vida, aliás característica de toda Nova Zelândia, e muitas opções de vida ao ar livre e ótimas opções de vida noturna.