Trip Global: Sydney

A Austrália é um verdadeiro continente, cercado de oceanos por todos os lados, com apenas 26 milhões de habitantes. Sydney é a principal cidade e foi também a primeira. O Capitão James Cook, da Marinha Britânica, explorou as terras australianas em 1770, depois de passar pelo Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo. Em 1787 o governo britânico decidiu começar a colonização desse vasto continente, mandando a primeiro frota com esse fim. De acordo com Robert Huges, no seu livro que dá voz aos condenados que colonizaram esse vasto país, “Austrália era uma cloaca, invisível, seus conteúdos sujos e inomináveis.”

Edifícios parecem flutuar na baia

Edifícios parecem flutuar na baia

É curioso que um país que tenha surgido da colonização de condenados por crimes diversos tenha hoje o segundo IDH do mundo, com uma excelente qualidade de vida e uma tranquilidade para se viver a toda prova.

Sydney Harbor Bridge

Sydney Harbor Bridge

O que mais impressiona em Sydney é justamente a baia, que coincide com a foz do Rio Parramatta, que traz um azul todo especial para a cidade, que tem, por todos os lados, pequenos portos para os ferrys. Os grandes e belos edifícios comerciais parecem flutuar na baia, que é atravessada pela lendária Sydney Harbor Bridge. Parece que estamos numa ilha, tamanha a presença do mar tranquilo da baia, que penetra por todos os poros da cidade. Sydney é também a mais multicultural cidade da Austrália, com asiáticos de todas as nacionalidades e aborígenas se misturando aos australianos descendentes dos ingleses. Logo que chegamos fomos atraídos para o principal porto desses ferrys, o Circular Quay, que no seu lado direito exibe a Ópera House de Sydney, um belo edifício que parece um barco dependendo do ângulo que se olha.

Fomos a um concerto clássico na Ópera, em que a orquestra Sinfônica de Sydney acompanhou Stephen Hough ao piano, executando um lindo piano concerto do Checo Antonín Dvořák. Eu nunca tinha ouvido nada parecido em termos de acústica. Uma clareza no som, uma envolvência a toda prova, houve-se tudo com muita fineza. A sala de concerto está distribuída em torno do palco, como num teatro de arena, e o teto por sobre a orquestra tem uma altura considerável. Chegamos um pouco mais cedo e podemos saborear um espumante enquanto olhávamos para beleza do cais, com a cidade ao fundo. No lado esquerdo há um prédio antigo ligado a uma construção moderna, onde localiza-se o Museu de Arte Contemporânea, com vários quadros e instalações de Annette Messager, uma artista plástica francesa, fazendo parte da exibição temporária.

Instalação de Annette Messager

Instalação de Annette Messager

Também em Sydney encontramos vários Pubs bem no estilo inglês, com cadeiras confortáveis e uma boa cerveja na pressão, que sai de uma imensa barra contendo vários tipos de cerveja diferentes. Os pubs são inigualáveis quando se trata de beber uma boa cerveja confortavelmente sentado numa bela poltrona. Belo Horizonte tem um bom pub no CCCP, que fica no antigo Savassi Cine Clube, mas ainda sem o conforto dos seus similares ingleses, australianos ou irlandeses.

Blue Mountains

Blue Mountains

No nosso segundo dia em Sydney fizemos uma excursão às Blue Mountains, que mais parecem um grande desfiladeiro e que ao longe ficam realmente azuis. O nosso guia e motorista relatou um fato interessante a cerca da Austrália: antes da chegada dos ingleses os Holandeses já tinham andado por essas terras. Realmente checamos e verificamos que o navegador holandês Willem Janszoon andou pelo litoral oeste e norte do continente australiano, batizado à época de “Nova Holanda”, mas não houve qualquer tentativa de colonização. As Blues Mountains em verdade nos decepcionaram, apesar de ser belo o lugar. Na volta fomos levados ao local onde foram construídos os estádios e a vila olímpica da Olimpíada de Sydney, que aconteceu em 2000. Dali embarcamos num ferry com destino ao Circular Quay e essa foi nossa primeira viagem pela Baia, realmente muito bonita. Toda a paisagem está cheia de pequenas colinas que acabam no mar, com casas muito amplas ao longo dessas colinas. O sol caiu quando ainda estávamos no barco e chegamos ao Circular Quay em Sydney já com noite feita. É interessante porque todos os dias fazíamos o trajeto pela George Street, que liga o local onde estávamos hospedados, perto da Central Station, ao Circular Quay.

George Street

George Street

No final, a George Street está cheia de casas típicas do bairro histórico de Sydney, chamado Rocks. As simples e boas casas hoje abrigam o comércio local. Pela George Street também passa-se por uma série de construções tipicamente britânicas, como o Town Hall, sede do governo municipal. A George Street é de longe a rua mais movimentada de Sydney, com milhares de australianos se misturando aos milhares de asiáticos dessa cidade, seja nos passeios e semáforos, seja  nos inúmeros bares e pubs que no happy hour abrigam uma alegre e falante população, que sintetiza um pouco o que os mais de 4 milhões de habitantes dessa que é a maior cidade da Austrália, falam e fazem.

Darling Harbour

Darling Harbour

No dia seguinte passeamos pelo Darling Harbour, outra entrada da baia de Sydney, que é uma verdadeira festa. Atravessada por uma grande ponte reservada aos pedestres, são inúmeros bares e restaurantes em meio ao Museu Naval, o Aquário de Sydney, o Museu de Cera da Madame Tussauds e muitas outras atrações. As águas da baia refletem esplendorosas o azul do céu e a cidade brilha em meio ao esplendor. Depois do almoço atravessamos a pé a famosa Sydney Harbour Bridge, com suas duas grandes torres sustentando uma enorme estrutura de aço. A medida que caminhávamos íamos tendo diferentes visões da baia, com uma linda vista da Ópera House. Para voltar tomamos o trem no Milsons Point, que corresponde a parte norte da baia, imediatamente depois da ponte. O transporte público em Sydney se faz por quatro vias principais: são trens modernos, com dois andares, que convergem para a Estação Central, perto de onde ficamos hospedados; ferrys, que são um meio de transporte muito prático tendo em vista a situação geográfica de Sydney, com inúmeras entradas da baia por todos os lados; os ônibus; e, finalmente, as bicicletas. Na George Street há um ônibus gratuito, o 555, que faz exatamente o trajeto de fazíamos a pé diariamente.

Opera House vista da ponte

Opera House vista da ponte

Fomos ainda a uma praia, Manly, que junto com a Bondi Beach sintetiza bem o espírito jovem do habitante de Sydney. Chegamos a Manly depois de percorrer toda a baia de Sydney a partir do Circular Quay, passar ao largo da entrada do oceano e estacionar, ainda dentro da baia, num cais que fica a uns 200 metros da praia, em mar aberto. Apesar de ser uma cidade essencialmente ligada ao mar, não há praias centrais em Sydney, pois essas estão localizadas já fora da baia, no oceano.

Praia de Manly

Praia de Manly

Mas quando você chega numa dessas praias, entende bem porque o surf é uma prática disseminada entre os todos, jovens, maduros e velhos. São centenas deles, e também delas, no mar, vestidos com roupas térmicas, a procura das melhores ondas. Nessa época em que a temperatura em Sydney ainda exige o uso do casaco de couro, são as únicas pessoas ao mar.

No último dia nosso em Sydney, um domingo, fomos passear na casa de um casal australiano multicultural (Tom é australiano e Ayling indonésia), que conhecemos no passeio que havíamos feito à Ha-Long Bay, no Vietnã (vide). Eles são super simpáticos e nos convidaram a visita-los em sua casa, que fica num subúrbio de Sydney. Pegamos o trem na Estação Central e depois de cruzar a baia pela Sydney Harbour Bridge ainda passamos por mais de 10 estações. Depois de uma hora no trem desembarcamos numa típica cidadezinha do interior, com casas grandes que se misturam às árvores do campo, numa paisagem quase rural.

Passeio com casal australiano

Passeio com casal australiano

Tom foi nos buscar na estação e logo chegamos a sua casa, um ampla habitação que aproveita o declive do terreno para ter dois andares em algumas de suas partes. Almoçamos na área externa, onde tínhamos uma vista de enormes árvores de várias espécies de eucaliptos, que são as árvores mais comum na Austrália. O jardim estava bem cuidado, com diferentes flores e frutos. Ayling trabalha na University of Technology, Sydney, com programas de inglês para estrangeiros, tendo inclusive recebido vários estudantes brasileiros do Ciências sem Fronteiras. Tom trabalha na Escola de Medicina da Universidade de Sydney, que fica perto de sua casa. Ayling trabalha num campus que fica muito próximo ao lugar onde ficamos hospedados. Ela falou admirada de um prédio moderno que está sendo finalizado neste campus, e que acabamos por encontrar e fotografar. Depois do almoço eles nos levaram a passear por um parque nacional, que circunda toda Sydney pelo lado norte, numa imensa área. Um guarda voluntário prometeu que veríamos uma família de cangurus, mas não foi dessa vez. Passeamos por entre perus australianos, bem bonitos, com interessante colar vermelho. E finalmente chegamos a um pântano longínquo, bem preservado, que liga-se ao mar de alguma forma, no final de uma baia típica como a de Sydney. Descobrimos que esse é a típica formação de litoral neste estado de Nova Gales do Sul. Sydney, a capital do estado, já foi uma cidade industrial e a poluição de certas partes da baia era uma constante há mais de 20 anos. Desde então, as indústrias poluidoras mudaram para a China e os países do sudeste asiático, o que contribuiu para que a baia pudesse ser despoluída, depois de um programa de muitos anos. Sydney ficou como um exemplo de uma esparramada cidade de 4 milhões de habitantes que nem por isso despreza o bom convívio entre seus habitantes e desses com a natureza.