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9 de December de 2014, às 12:02 Trip Global: Hong Kong e Macau

Nós chegamos a Hong Kong depois de 12 horas de voo a partir de Auckland. Portanto, já estávamos viajando há mais de 14 horas pois havíamos partido de Wellington, que fica a uma hora de voo de Auckland. Tudo isso dentro do mesmo dia, pois a diferença no fuso horário de Auckland a Hong Kong é de 4 horas. Quando o avião baixou para pousar em Hong Kong, avistamos vários navios que estavam fora da baía. O aeroporto de Hong Kong é enorme e tem um trem expresso que serve a cidade, mas cujo preço não compensa no caso de 3 pessoas. Neste caso, o taxi sai mais barato. Como já eram mais de 9 horas da noite e o taxi passa a maior parte do trajeto em vias expressas, não houve problema de tráfego e depois de 40 minutos estávamos à porta do hotel, que ficava em Kowloon, em frente a ilha de Hong Kong, onde está situado o centro financeiro, que tem a maioria dos grandes arranha-céus que fazem a vista da baía de Hong Kong a grande atração turística da cidade.

Templo dos 10 mil budas

Templo dos 10 mil budas

Hong Kong é uma cidade sui generis, hiper povoada. São três níveis de cidade, todas igualmente complexas. Há uma cidade subterrânea, que fica entre as estações de metro. Ali pode-se encontrar shoppings inteiros, com lojas de todos os tipos, praça de alimentação, tudo subterrâneo. É engraçado, pois muitas vezes passamos horas entre trens e estações subterrâneas, como se fossemos tatus. No dia em fomos a um templo budista chamada de Templo dos 10 mil budas, tivemos uma experiência desse tipo. Na volta, resolvemos ir à Times Square para jantarmos. Em primeiro lugar passamos uns 30 minutos num trem. Quando descemos, andamos pelo menos 10 minutos até chegarmos ao metrô, tudo debaixo da terra. Paramos numa estação da Tsuen Wan Line e tínhamos que ir para a Island Line. Aí gastamos 15 minutos andando pelo subsolo, por entre lojas e restaurantes. Daí pegamos o metrô para Times Square e descemos num lugar em que tivemos que andar pelo menos mais 5 minutos debaixo da terra para sair da estação. Ao todo ficamos aí pelo menos 1 hora, entre trens e estações.

Para além dessa cidade subterrânea, há uma cidade aérea, constituída por passarelas que ligam edifícios, principalmente na zona comercial e financeira da  Ilha de Hong Kong. É uma loucura, pois pode-se percorrer grandes distâncias em passarelas e interior de edifícios, sem nunca ter que pisar na rua. Essa parte da cidade, assim como a subterrânea, não está no google maps, que nos informa os caminhos pelas ruas mas não pelas passarelas aéreas e passagens subterrâneas, que em alguns lugares são o meio mais confiável de se andar pela cidade. No dia em que fomos ao Champanhe Bar, ouvir a um jazz, tivemos essa experiência. Saímos da estação dentro de um prédio e descobrimos que a única forma de alcançar o local do bar era cruzando a Connaught Road e depois usando uma dessas passarelas, que era visível e enorme.

Protestos

Protestos

O mais engraçado foi que, ao finalmente encontrarmos a Connaught Road, que é uma das principais avenidas na ilha de Hong Kong, nos deparamos com centenas de barracas, que pertenciam ao movimento que protesta contra mudanças na política de Hong Kong. Essas mudanças são consequência do fato de Hong Kong ter deixado sua condição de colônia da Grã-Bretanha e ter-se tornado região autônoma pertencente à China. Mais ou menos um mês antes de chegarmos, Hong Kong estava na mídia, em função desses protestos. Havia repórteres de todas as grandes agências dando cobertura ao vivo desde Hong Kong em todas as TVs da Austrália e da Nova Zelândia, e também na BBC, CNN, etc. Tínhamos notícias dos protestos de Hong Kong em todos os jornais. Quando os grupos decidiram acampar numa grande avenida no centro, o fato também foi amplamente noticiado. Mas depois de umas duas semanas, tudo sumiu da mídia como se os protestos tivessem terminado. Mas não acabou, estava lá, nós presenciamos. Para a mídia, no entanto, já não causava tanto impacto e esta decidira mudar de assunto, antes de o assunto se encerrar. É engraçado com age a grande mídia em relação a todos os protestos que duram muito tempo. Foi assim em relação ao “Ocupem Wall Street” ou em relação às greves de professores universitários que duraram mais de um mês. Há uma lógica da novidade que perpassa a grande mídia. Por isso, qualquer protesto mais demorado, mesmo que tenha conseguido por algum tempo ter atraído a cobertura, até ao vivo, ao fim de uma ou duas semanas vai sumir do noticiário.

Voltando ao nosso trajeto por passarelas e prédios, depois de atravessarmos a Connaught Road, subimos a uma dessas passarelas e nos pusemos a caminhar. A passarela acabou num edifício ultra contemporâneo, entramos, descemos um andar e entramos em outra passarela. E fomos, de passarela em passarela, passando por modernos edifícios, até que descemos em frente aos jardins do prédio do hotel onde ficava o Champanhe Bar. Um hotel 5 estrelas, com muito luxo, e uma bar de happy hour, com executivos conversando animadamente, um excelente duo de jazz, com pianista e saxofonista, mas num ambiente muito barulhento por causa de tantas pessoas muito interessadas na conversa e pouco no jazz.

Névoa seca sobre a cidade

Névoa seca sobre a cidade

Finalmente, em meio a essas duas cidades, uma abaixo e outra acima, há uma cidade “normal”. Essa cidade vez por outra desaparece frente a cidade aérea, e ficam apenas os carros. Outras vezes, ela surge com força, com quarteirões inteiros dedicados a um tipo de comércio, como as ruas dos produtos eletrônicos, que fica em Mong Kok. Não é muito fácil se deslocar a pé em Hong Kong por qualquer uma dessas vias, pois todas estão cheias de gente. De onde sai tanta gente? Há enormes conjuntos de edifícios, cada um com mais de 30 andares, que povoam toda a periferia de Hong Kong. Mais perto da região central, há muitos apartamentos, quase nenhuma casa. Mesmos os parques de Hong Kong ficam escondidos por prédios comerciais. Não há árvores plantadas nas ruas, de modo que na região central há muito pouco verde.

The Peak

The Peak

Há também uma névoa seca que está o tempo todo sobre a cidade. É impressionante, pois essa névoa impede mesmo que se veja claramente os edifícios do outro lado da baía, ou do alto do The Peak, onde fomos atraídos pela vista da cidade. De certa forma, esse conjunto de fatores – a névoa seca constante, a quantidade de gente por todo o lado e a falta absoluta de verde – tornam Hong Kong um pouco opressiva. Parece que as pessoas não têm o que fazer nas horas de folga a não ser comprar. Todos as lojas e shoppings estão o tempo todo cheias de gente. É uma loucura.

Ned Kelly's Last Stand

Ned Kelly’s Last Stand

Numa cidade como esta, uma das principais diversões são os bares, que também nunca estão à vista, são sempre uma atração que deve-se buscar, descendo escadas para se meter no subsolo. Foi assim que encontramos o bar Ned Kelly’s Last Stand, que mantém como atração uma superbanda de jazz, formada em sua maioria por orientais, comandados por Colin Aitchison, um inglês de Newcastle, que toca trombone de vara. É muito divertido o show dessa banda, eles têm um repertório enorme. Um grande maço de partituras fica em frente a cada músico e ali eles buscam o que vão tocar a seguir. Fizemos um pedido, para que tocassem Tom Jobim, e fomos atendidos de imediato. Tocarem Wave. Colin é muito comunicativo e diverte bastante o público. O bar estava lotado. Há mesas para 8 pessoas, que normalmente são ocupadas por mais de uma turma. Quando chegamos, Regina, Joan e eu, fomos alocados numa mesa em que havia três pessoas de Hong Kong e duas pessoas da Noruega. A cerveja é deliciosa. Foi uma noite muito divertida.

Todas as noites, depois das 20  horas, há dez minutos de espetáculo luminoso, quando os edifícios se colorem, formam diferentes padrões de cor e luz, num bonito espetáculo que atrai muitos turistas para a beira do mar da baía.

Português por todos os lados

Português por todos os lados

No domingo, na véspera de partirmos para Tóquio, fomos a Macau, que fica a uma hora de barco veloz. É estranho porque, apesar de estarem na China, tanto Macau como Hong Kong são províncias autônomas e por isso têm status de países independentes. De forma que precisamos de passaporte para entrarmos. Passamos pela imigração em Hong Kong, para sairmos, e novamente em Macau, para entrarmos. Quando chegamos em Macau nos dirigimos ao centro velho, onde os edifícios lembram as nossas cidades históricas. É curioso que o português está por todo o lado – no nome das ruas, nos estabelecimentos de comércio, nos menus dos restaurantes. O nome desta rua nos deu curiosidade de saber a sua origem. É de chunambo que deriva a palavra Chunambeiro, empregada em Macau para designar o antigo local, próximo da fortaleza de Bom Parto, no extremo sul da baía da Praia Grande. Nesse local havia antigamente fornos de cal de ostras, que é justamente o significado de chunambo. Mas não encontramos ninguém que falasse português. Cantonês todos falam, inglês uma boa parte, mas português, é muito raro, talvez haja pessoas mais velhas que falem.

Cassinos

Cassinos

Macau se tornou independente de Portugal em 1997. Era uma das colônias mais antigas, datada de 1557. Foi de Macau que os portugueses trouxeram o arroz que constitui-se num dos principais alimentos dos brasileiros. Era um lugar de muitos cassinos e continua a ser a única localidade na China onde o jogo é permitido. Os cassinos estão em edifícios enormes, situados ao longo de toda Macau.

Fachada de São Paulo

Fachada de São Paulo

No centro ficam edifícios históricos. Um deles, a fachada da São Paulo, fazia parte de um igreja construída em 1602, que foi destruída num incêndio e da qual só restou a fachada. Perto da fachada de São Paulo há um forte, do qual se avista toda Macau. As casas empilhadas lembram um pouco as nossas favelas. As ruas e todas as lojas estavam lotadas de chineses, todos muito animados e comprando muito. Quando chegou a hora de partirmos, resolvemos tomar um ônibus para o porto. Havia uma grande confusão de gente a procura de ônibus, num terminal da cidade. Não sabíamos que haviam dois portos dos quais sai o barco para Hong Kong e, em meio a confusão do terminal, tomamos  o ônibus para o porto errado. Mas no final deu tudo certo e chegamos finalmente a Hong Kong, um pouco exaustos da viagem, mas prontos para partir para Tóquio no dia seguinte.

Semelhança com favelas

Semelhança com favelas

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