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6 de November de 2014, às 02:24 Trip Global: Cairns, Port Douglas e a Grande Barreira de Corais

Fomos a Cairns atraídos pela Grande Barreira de Coral australiana. Esta é uma imensa faixa de corais composta por cerca de 1900 recifes, 60 ilhas e 100 atóis de coral, situada ao nordeste da Austrália, com 2.900 quilômetros de comprimento e largura variando de 30 a 740 km. É a maior estrutura do mundo feita unicamente por organismos vivos e pode ser vista do espaço. Cairns é uma cidade particularmente bem situada para visita-la, pois está a uma distância média de apenas 60 km da Grande Barreira.

Grande Barreira de Corais

Grande Barreira de Corais

O mar da Austrália é de um azul profundo, que nos deixa tontos. Como toda cidade exclusivamente turística, Cairns nos pareceu um pouco artificial. Tem um grande alameda a beira mar, de aproximadamente 4 km, com parques e esculturas, por onde se pode caminhar, mas não tem praia, pois o mar é como que um mangue sem a vegetação característica. No final da alameda há uma grande piscina onde as crianças e jovens se divertem e na rua a beira mar ficam inúmeros restaurantes que oferecem todo o tipo de comida, inclusive a chinesa, indiana e japonesa.

Ficamos hospedados num apart hotel bem confortável de forma que não tivemos que almoçar fora, pois todos os dias fazíamos a nossa própria comida, principalmente a base de peixe, camarões e salada, uma delícia. Logo que chegamos fomos procurar por uma excursão à grande barreira de corais. Depois de pesquisar algumas agências decidimos por um barco que nos parecia grande e confortável. Marcamos nossa ida para a manhã seguinte. Nós somos um casal bastante experiente nesse tipo de viagem de barco, pois já fizemos viagens semelhantes em Istanbul, na Grécia, Argentina, Colômbia, Venezuela e várias partes do Brasil. A nossa impressão da grande barreira de corais foi fortemente influenciada pela lembrança que nos deixou a viagem.

O barco

O barco

O barco era grande e confortável, mas ficou pequeno para as 100 pessoas que levava. Tinha apenas 4 banheiros unissex, e dois diminutos quartos para trocar roupa. Durante a viagem até a barreira de corais, que durou um pouco mais que 2 horas, pelos menos 30% dos passageiros passaram mal, pois o mar estava bastante agitado e o barco o percorria velozmente, provocando baques constantes contras as ondas. Não nos advertiram sobre esse problema quando compramos o passeio. A tripulação não sabia como lidar com o problema. Eles haviam disponibilizado um comprimido ante-enjoo no início da viagem e advertiam quem estava passando muito mal que deveria sair para fora do barco, mas havia pessoas muito mal, que não conseguiam se levantar, e a tripulação insistia para que saíssem, de forma às vezes rude, pouco educada mesmo. Em minha vida nunca havia me deparado com pessoas no comando de uma situação tão autoritárias e rudes. Havia muitos chineses e filipinos no barco que não entendiam bem o que a tripulação lhes falava. A tripulação colocava todos no sol e não providenciava nada para hidrata-los, não parecendo conhecer os cuidados médicos básicos nestes casos. Quando finalmente chegamos ao local onde realizaríamos o primeiro mergulho, nos deparamos com outro problema. Mais de 70% do barco havia optado pelo snorkel e apenas 30% pelo mergulho. No entanto, quase toda a tripulação se envolveu com as pessoas que iriam mergulhar, deixando os que iriam praticar snorkelling a ver navios. Pararam o barco num local mais fundo, próprio para o mergulho. O mar estava bastante agitado de forma que muitas pessoas desistiram de fazer qualquer atividade que envolvesse nadar. Na hora de voltar ao barco era outro sofrimento, pois a traseira do barco foi dividida, sendo a esquerda reservada para os mergulhadores e a direita para quem fazia snorkel. Mas com o mar agitado, ficava difícil obedecer a essa regra quando voltávamos para o barco, de modo que a primeira parada se tornou um suplício para a maioria dos viajantes, que não conseguiram passar muito tempo no mar para ver as belezas da vida subaquática que tinha sido amplamente anunciadas em televisores colocados no interior do barco.

Curtindo o sol da tarde

Curtindo o sol da tarde

Após esse frustrado mergulho da manhã foi nos servido o almoço, bastante medíocre. Depois do almoço paramos em outro ponto para mergulho e o mar estava menos bravio e resolvi não usar a roupa de neoprene que nós havia sido recomendada na primeira parada. Aí, sim, consegui passar mais tempo na água, no limite da barreira de corais, que percorria em um sentido e no outro. É enorme o número e a variedade de peixes, alguns em cardume, algo muito bonito. Há peixes bem grandes, que ficam mais no fundo. A barreira começa como uma parede de uns 10 metros de profundidade, e a partir daí fica rasa, com um metro. Há corais para todos os lados, muito variados, uma verdadeira floresta submarina. No seu limite, vários peixes buscam alimentos e compõe uma viva paisagem submarina.

Depois de umas duas horas dentro d’água voltei para o barco, cansado e feliz por finalmente haver obtido a recompensa pelos 130 dólares pagos pela viagem. Voltamos para a casa num mar mais tranquilo, curtindo o sol da tarde.

Kuranda

Kuranda

Próximo de Cairns tem ainda a floresta tropical mais antiga do planeta, dos tempos do Gondwana, o super continente que se formou a partir da Pangeia, pelas porções de terra do hemisfério sul: a América do Sul, África, Antártica, Índia e Oceania. Esta parte da Austrália não teria sofrido a última glaciação e por isso abriga a floresta tropical mais antiga. Cairns está a 16 graus de latitude sul, a mesma latitude de Porto Seguro. Nós estivemos em Kuranda, que abriga uma dessas florestas. A região fica perto do litoral e há uma bonita vista do mar, depois de subirmos na estrada por uns 20 quilômetros.

Por do Sol em Port Douglas

Por do Sol em Port Douglas

Depois de 3 dias em Cairns, fomos para Port Douglas, uns 60 quilômetros ao norte. Escolhemos Port Douglas por indicação de James, um australiano de Melbourne que hospedamos por ocasião da copa do mundo de 2014. A cidade é pequena, mas muito bonita. Está próxima de um rio, que forma um belo estuário. Há um belo jardim cercado por árvores e coqueiros, que fica justamente no final da foz do rio e no começo do mar, onde podíamos apreciar o por do sol. A praia de Port Douglas é o ponto forte da cidade. Com mais de 4 quilômetros, águas calmas e quentes, areia fina, é uma delícia para ser percorrida a pé. Estivemos na cidade na época de férias escolares australianas, de modo que havia bastante gente. No entanto, as pessoas se concentram nos primeiros 300 metros da praia, onde ficam as balizas dos salva-vidas. O restante da praia é um enorme e delicioso vazio (foto 8).

Praia vazia

Praia vazia

Em Port Douglas nos sentimos em casa, como numa praia do nordeste, com uma preguiça boa que nos convidava a um bom chope, que tomávamos no iate clube local, junto ao rio, onde avistávamos uma placa advertindo contra o perigo dos crocodilos. Vida boa é isso.

Iate clube local

Iate clube local

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Duzão Mortimer