Chegamos a Brisbane num final de tarde ensolarado, fazia uma friozinho de primavera, típico dessa região que está numa latitude semelhante à de Florianópolis. Brisbane é uma cidade relativamente nova, apesar da história da região remontar ao navegador britânico Matthew Flinders, que com sua obra Uma viagem à Terra Australis (1814) popularizou o nome Austrália. Foi em 1925 que mais de 20 pequenos municípios foram reunidos para formar a cidade de Brisbane, desde então capital do estado de Queensland, em cujo oceano situa-se  a famosa Grande Barreira de Corais, com seus 2.900 km de extensão e largura variando de 70 a 300 km.

Ilha Stradbroke

Ilha Stradbroke

Em Brisbane iríamos ficar hospedados na casa da nossa amiga Lília, mineira de Belo Horizonte que trabalha como pesquisadora na Universidade de Queensland. Pegamos o trem no aeroporto, descemos na Fortitude Valley e mudamos para a linha Springfield, descendo na Estação Toowong, pertinho da casa de Lília, que veio nos buscar de carro. Ela mora, junto com o namorado, Paul, numa casa de madeira, num bairro muito interessante, pois tem-se a nítida impressão, olhando para o quintal de sua casa, que se está no campo, tamanho o número de árvores que se vê e que não deixam à vista as casas do bairro. Fomos recebidos com um delicioso jantar, que começou nos camarões, passou por aspargos, carne grelhada e salada de beterraba temperada à moda indiana, tudo regado ao vinho tinto australiano e preparado com primor pelo cientista Paul.

Brown Lake

Brown Lake

No dia seguinte acordamos cedo para ir a ilha Stradbroke, que fica a uma hora de ferry de um porto, que está a uns 30 quilômetros do centro de Brisbane. Essa ilha é maravilhosa, e tem praias extensas, mas estava um pouco frio, apesar do sol forte. Passeamos a beira mar, começando numa praia e subindo no alto de um penhasco que vai ziguezagueando pelo oceano, formando gargantas muito bonitas, até se acabar numa outra praia. Aí ficamos por um tempo ao sol, sem coragem de compartilhar com os australianos a água, que estava fria. Depois disso fomos a um lago de cor escura, chamado de Brown Lake. Lília bem que nos convidou a entrar na água, mas não tivemos coragem devido ao frio.

À noite foi a vez de Regina nos brindar com um Risoto de cogumelos, que por sinal aqui na Austrália são maravilhosos, com uma variedade espantosa e sabores muito especiais. No dia seguinte Lília nos deixou às 9:00 hs no Lone Pine Koala Sanctuary, onde tivemos a oportunidade de conhecer, pela primeira vez, a vasta fauna australiana, que inclui várias espécies de marsupiais, como os cangurus e coalas, ornitorrinco, um bicho chamado Tasmanian Devil que se parecer com um enorme rato, um enorme morcego e muitas cacatuas, uma espécie de papagaio com as mais variadas formas e cores. As mais falantes, que nos saudaram com um “good morning” e se despediram dizendo “goodbye”, são as brancas de penacho amarelo, bem maiores que um papagaio. É curioso que os coalas são de uma preguiça de fazer inveja ao bicho que tem esse nome. Dormem abraçados  a um galho de eucalipto praticamente o dia inteiro – 19 horas por dia – porque necessitam um tempo enorme para digerir as folhas de eucalipto, sua refeição.

À tarde nos encontramos com Lucas, filho dos nossos amigos Valdemar e Sandra, que está em Brisbane para um intercâmbio. Gostando muito, até da escola, que diz ser bem mais divertida e diversificada da que frequentava no Brasil. Nosso país está uns 40 anos atrasados em termos de educação, em todos os níveis. O ensino público em geral é um desastre porque, entre outras coisas, não se paga um salário ao menos razoável ao professor e não se tem um padrão de construção de escola. Mas mesmo as escolas particulares primam pelo ensino baseado na transmissão-recepção de verdades prontas e acabadas, quando a ciência, as letras, as artes e as humanidades já deixaram para trás esse padrão. Hoje, nos países de primeiro mundo, como a Austrália, investe-se num ensino por investigação, em que os padrões e princípios da investigação científica se sobrepõe ao ensino puro e simples de verdades imutáveis.

Piscina pública cheia de jovens

Piscina pública cheia de jovens

Passeamos pelo centro e pelo South Bank, conhecendo seus pontos turísticos, como a piscina pública, que em dias de calor fica lotada de gente. Essas piscinas, que viraram moda na Austrália, são completamente abertas, a serviço de qualquer pessoa que queira usá-la. Ficam cheias de jovens. Brisbane é uma cidade moderna, com um bonito rio que corta o centro e o divide entre o South Bank e o centro financeiro. É a maior área urbana da Austrália, bastante espalhada, embora a população total da área metropolitana não passe de 1,8 milhões. A maioria dos bairros são como o Toowong, onde mora a Lília, que mais parece uma zona rural.

 

Rio divisor

Rio divisor

Ao final do dia tomamos uns bons chopes a beira do rio, num bar e restaurante alemão, juntos com a Lília e o Paul. Quando já era noite, antes de voltarmos para casa, nos levaram a uma montanha que tem uma vista espetacular da cidade. Lília considera Brisbane sua casa e não a troca por nada nesta vida. Lucas nos deu a mesma impressão. Realmente uma bela cidade.

Chopes a beira do rio

Chopes a beira do rio